O número de servidores a cada mil habitantes cresceu 42% no Brasil de 2000 a 2014. No início desse período, havia 31 servidores das três esferas da Federação a cada mil habitantes. Quatorze anos depois, eram 44 — alta de 42%. O principal motivo desse aumento foi a expansão da folha de pagamento dos municípios. Nesse intervalo, o número de funcionários públicos vinculados às prefeituras cresceu 145%, de 2 milhões para 4,9 milhões.

Os dados foram compilados pela DAPP/FGV (Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas) em um levantamento sobre o funcionalismo público, divulgadas pelo Nexo Jornal.

O cenário geral

Marco Aurélio Ruediger, diretor da DAPP e coordenador do estudo, explicou que o crescimento da densidade de servidores públicos em relação à população como um todo se deve à construção da rede de proteção social prevista pela Constituição, segundo Ruediger.

“Nesse período, o Brasil passou bem ou mal por um processo de construção de uma rede de proteção, com a ideia, ainda não tão completa, de Estado de Bem-Estar Social. O aumento da burocracia e do número de servidores corresponde a essa tendência. Mas a continuidade dessa expansão está agora em questão, por conta da crise econômica, podendo inclusive ser revertida em algum grau”

Ele ressalta que, em relação o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas em um ano), o gasto com o salário do funcionalismo não evoluiu no mesmo ritmo que o número de servidores, pois ficou próximo do crescimento econômico no período.

Em 2001, o país gastava 5,95% do PIB com servidores municipais, estaduais e do governo federal da ativa, sem considerar os aposentados. Em 2014, o custo do funcionalismo da ativa representou 6,89% do PIB.

A concentração da alta do número de servidores nos municípios se explica pela contratação de profissionais para prestar serviços públicos que, na Constituição de 1988, ficaram sob a competência das cidades, diz Ruediger. Fonte: Nexo Jornal