A Prefeitura de Hortolândia pretende firmar convênio com abrigos que possam atender mulheres vítimas de violência na cidade de Hortolândia. O anuncio da realização de um chamamento público foi feito durante a Audiência pública Rede de Proteção dos Direitos da Mulher ‘O que temos, o que queremos’, realizado no mês passado pela Câmara Municipal em parceria com a Prefeitura, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Hortolândia, Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa de São Paulo e Secretaria Estadual de Mulheres do PT.

 

O chamamento público foi anunciado pela secretária de Inclusão, Paula Nista, que destacou a importância de oferecer a casa de passagem para mulheres que sofrem violência e precisam sair de casa para evitar novas agressões. “Entre 2010 e 2013 tivemos 1407 casos de pessoas vitimizadas, sendo que 60% eram mulheres (850); desse total, 75% sofreram violência física, sendo que 359 foram pelo cônjuge/marido, e dentro da própria casa. Com a casa de passagem conseguiremos colocar essas mulheres, vítimas e que correm risco, em uma acomodação fora da cidade, seja para ficarem 48 horas ou mesmo um mês”, comentou a secretária.

 

Além de anunciar a casa de passagem, também foi falado ao público presente que existe hoje na cidade uma conversa com delegados do município para que seja possível levar o Prodesp, que é o sistema onde são registrados os boletins de ocorrência, para dentro do CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social), com toda a estrutura do acolhimento da mulher, além da capacitação da rede de atendimento nas delegacias.

 

O presidente da Câmara, Gervásio Batista Pozza (PT), ressaltou a importância da audiência e das conquistas anunciadas. “As mulheres têm muito direito adquirido, mas poucos deles são cumpridos corretamente, por isso, nós da Câmara, realizamos esta audiência, a fim de discutir e buscar soluções. É muito gratificante ver que saímos daqui já com metas, objetivos e grandes conquistas”.

 

A deputada estadual pelo PT Márcia Lia ressaltou, durante sua palestra, sobre a importância do respeito: “O que queremos? Respeito, que é o que todo ser humano quer. E como a gente materializa o respeito? Dando dignidade para as pessoas. Hoje, nós mulheres, somos 52% da população brasileira; somos arrimo de família, sofremos violência, somos estupradas, desrespeitadas dentro das delegacias e muitas vezes, por não termos onde ir, nos sujeitamos à violência. Por isso temos que lutar, lutar para que nossa sociedade seja igualitária”.

Já a deputada federal pelo PT Ana Perugini, destacou o quanto a violência destrói a mulher, não só fisicamente, pois tira dela, também, a sua dignidade. “O que devemos fazer é nos respeitar primeiro, porque a violência doméstica dá vergonha, a violência tira da mulher sua dignidade. Por isso o que temos que fazer hoje é promover a nossa própria libertação e das nossas companheiras, e deixarmos de ter vergonha, porque não somos culpadas. E o homem precisa ser tratado sim, mas não pode deixar se ser punido. Trate e puna, matou é homicídio, agora é feminicídio, crime hediondo. Bateu é lesão corporal”, ressaltou a deputada.